Pessimismo

Porque haverá tanta poeira
quando estamos no inverno
Pelo menos sobra estas postas de sol
um pequeno arrebatamento
este cheiro a terra a lembrar mil momentos

Avisei, com esta ignorância
que iria acontecer o pior
porque está-me na escama
este olhar pessimista.

Ao mesmo tempo tudo me parece otimista
quando não tenho razão
Dose, deslumbramento
É o que penso
É o que sonho para sair do controlo

Vem tempo do sul
Lava o certo
e tráz a luz do incerto
do desconhecido
para viver

Sejamos o sol
de todos os invernos
E não a chuva

de todos os verões

Chuva

Some-se esta chuva pelas persianas
pelas sombras dos lençóis dos sonhos
venta uma inquietação nessa água
dispersa por gotas
e violenta como a sede
Uma água com sede de cair
e lavar os cestos da alma
Migra uma agitação com esse som
da tempestade tempestiva
Vai algures para nenhures
mas se instala no teu acampamento
de pensamentos
de sentimentos.
Como um iman fica-se órfão
apenas um ser vago
que pernoita nos confins
do desalento, mortinho para abraçar o sol
E quando ele vem fica-se apenas por sabê-lo

esquecemo-nos de senti-lo
e abraça-lo
e a vida vai-se com os ventos
e as chuvas...

ZC-19/10/2013

Sempre que haja

Sempre que haja um sabor
igual aquele do café com beijos
uns quentes com chocolate amor

A quentura do corpo abraça
a alma de imediato numa sinfonia
e então sente-se uma força que entrelaça

Não fiques e vai além
até ao sorriso que te escuta
e te lambe inviselmente sem deixar aquém

sempre que Haja
faz acontecer
corre e faz com que o suspiro seja consequência.

ZC-15/10/2013

Folhas

Hoje o tempo vem das folhas
que caem nos colchões da alma
Como quem já viveu
esta meia claridade do dia
entremeada de esboços de esperança

comprometido pelo alcançe das folhas
não abandono a árvore despida
não posso arredar pé de quem
nasceu para nunca sair

Nada faço com isso
mas o coração dita-nos
mesmo que enchamos o caderno cheio de erros.

ZC-12/10/2013