Chá

Hoje nada sabe
mais do aquele chá quente
que passou rente, aos sentidos
Depois quase me despertou e desembarcou
junto aqueles areais cheios de sossego.

Em que ficas quieto
quase até demais. Quase te esqueces que respiras
que vives e deixas a vida passar-te sobre os dedos,
a areia desliza na panela das cocegas
e um frenesim passa pela alma do passado
regurgita os pecados, os arrependimentos dos olhares

Cheiras a maresia para te salvar do
entorpecimento do chá que vem só para nos lavar
o estômago ou os pensamentos

molho os lábios com o desejo
do futuro, e as gaivotas trazem-me até hoje.

Para ver se consigo bailar
com a naturalidade das ondas, sem dificuldades
nem exercícios esforçados sobre a essência
mas com a alegria de correr sobre os ventos
e querer alcançar o paredão do horizonte.

Zc - 11-6-2013

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