Penosa a sobra das luas
Nos encantos de cada redor dos amantes
Como escondido os volumes dos cabelos na claridade do escuro
Embora cada gota do ar que a noite traz
Caia,
Não é a luz da noite que a filma
Porque ela cai, à nossa frente até dos verdes arbustos
Saibrosa a visão inócua
Das ruas gastas de mil vidas jusantes
Apesar de os caminhos serem fonte de ensino
Mas o que se sente é sempre
A chuva fria na pele do momento
O que aflige é incessantemente
O corte da ferida aberta
O que interessa é permanentemente
Aquilo que nos alcança a conveniência
E as invisíveis gotas do orvalho
As utilidades depreciadas dos pentes que nos alinha os cabelos
As sobras das luas e das ruas
As vozes pedagógicas das areias dos caminhos
Ficam a ser as notas da pauta musical da natureza
Que nos canta a sinfonia da vida
Ensinando
Muito, aconselhando tanto.
ZC 10 de Agosto de 2009