VENTO


É preciso ser como o vento
como este vento de hoje
um vento que ralha
que murmura em todos os cantos

É como a minha alma que desponta
que precisa de fermento para crescer
para ser como o vento
e sobrevoar as encosta do desconhecido

é preciso ser como o vento
destemido e intenso
entrando pelas portas e janelas
cantando, rosnando de bravura
de rebeldia
para ser livre
voando e cantando a alma
de tão verdadeiro que é...

Só queria ser o vento agora
e voava, estremecia as casas vazias
abanava os olhares perdidos
abria os rostos fechados
limpava as margens daquele rio
ia ser a água das ondas
que se engradecem não para serem alguma coisa
mas para fazerem muita coisa
fazerem barulho
mexer, agitar
e entornar tudo num caldo
de verdade e de paz
aquela que está lá dentro

só precisa de uma boa ventania
para que tudo se torne uma manjar sublime.

Rui Mattos Azevedo - 24/03/2015

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