Deixo aqui um pequena homenagem a uma pessoa que nos deixou, e que admirava pela sua calma, pelo humor, pela sua dimensão humana. Até sempre António Feio.
A propósito disto, lembro-me da mensagem que ele deixou na Internet em que dizia aproveitem a vida. E por isso, transcrevo um texto que escrevi há algum tempo (porque ultimamente ando tão sem forças que nem escrever consigo), filosofando sobre a importância do momento e da sua vivência na essência. Aqui fica, espero que gostem.
«O tempo sobra como as solarengas postas de sol se agarram a cada monte, a cada pele de terra. Gasta-se como os minutos passam por mim desgastando uma vida, várias vidas a todo o volume. Só sabemos que o nosso tempo é mais curto, mas sem saber se é fortuito.
O nosso tempo é relativo, a nossa vida é contingente… é tudo como se fosse a página a escrever, mas que a todo o momento será virada e apenas será as costas de mais histórias a contar. Cada dia, cada nosso copo de tempo será uma linha que nos é proporcionada a escrever. Ela ficará bem escrita ou não, mas o mais importante será as raízes que deixaremos. Passamos aqui com almas gigantes nas ruas, nas paisagens, nas casas, no trabalho e isso fica. Fica a poeira nossa em cada palma.
Procuro no tempo a vida, que se me tira a cada esquina de mundo. Me tira e me é dada no que alcança. Só que começo de novo a cada tempo, sempre de novo.
É engraçado, porque a maioria da gente começa sempre do zero mas literalmente. O momento vives um aflição, uma alegria mas logo tudo se esquece e no novo tempo, a ilusão encarnace-se e começa-se de novo como se nunca se tivesse magoado rido, etc. Mas têm razão porque cada novo tempo que nos é dado é diferente de todo aquele que passou. È diferente, porque estamos mais velhos, porque está mais frio, mais quente, as pessoa mudaram, a situação alterou-se, o pais é diferente, o emprego é novo. A cada tempo, a cada pano de vida que nos é coberta, é novo, é e será sempre cada segundo que me é dado. E pensamos que este circulo é eterno. Será bom pensar assim? Não será neste modo de pensar que as pessoas são felizes? Nunca encarnarem a sua essência humana de seres vagos e mortais e se embevecerem no cálice da eternidade.
Mas a verdadeira eternidade é sabermos da nossa mortalidade como trave mestra do nosso ser. Aí toda a essência e profundidade do nosso ser será alcançada na nossa forma de ser e estar.»
Apaziguantes saudações cordiais
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