Expõe [te]

Replica
Se te explica cada franja de palavras espelhando teu agudeza

Eleva a voz sem rudeza
E expõe como a palha no lençol amarelo de terra

Teus olhos, viverão de tua verdade como na serra
É um verde concomitante
De esperança

Espirra
Essas ideias sem dose, sentindo-as como mirra

Atravessa cada encosta
E olhar
Como a sobreposição de ti mesmo na verdade.




Zc - 25 de Setembro de 2009

Sê a tua alma










«As sombras escuras de um sol
Escalfaram torrando o tédio fertilizante
As doses de um sorriso e um abraço mudo que carregas

Vê e sê sempre nas alturas
Formosuras de teu fazer, ali a mostrar a todos

Nunca insignificante a alma que tudo dá, no que faz
Mesmo com obscuridades no vermelho do dia
E mesmo com tamanhas e tão poucas silhuetas de nenhum resultado

Será dado,
Todo e qualquer segundo
Que foste e és a alma tua no teu corpo provisional»


ZC - 19 de Setembro de 2009

Vida a cada minuto

O tempo sobra como as solarengas postas de luz se agarram a cada monte, a cada pele de terra. Gasta-se como os minutos passam por mim desgastando uma vida, várias vidas a todo o volume. Só sabemos que o nosso tempo é mais curto, mas sem saber se é fortuito.
Pedras caem esta semana algures numa praia e nas penumbras humanas pressente-se uma incongruência gritante. Vou refastelar-me ao sol com toda a minha família, só que para todo o sempre. As pedras levaram réstias de vida. O nosso tempo é relativo, a nossa vida é contingente… é tudo como se fosse a página a escrever, mas que a todo o momento será virada e apenas será as costas de mais histórias a contar. Cada dia, cada nosso copo de tempo será uma linha que nos é proporcionada a escrever. Ela ficará bem escrita ou não, mas o mais importante será as raízes que deixaremos ou não. Passamos aqui como almas gigantes nas ruas, nas paisagens, nas casas, no trabalho e isso fica. Fica a poeira nossa em cada palma.
Procuro no tempo a vida, que se me tira a cada esquina de mundo. Me tira e me é dada no que alcança. Só que começo de novo a cada tempo, sempre de novo.
É engraçado, porque a maioria da gente começa sempre do zero mas literalmente. Num momento vives uma aflição, uma alegria mas logo tudo se esquece e no novo tempo, a ilusão encarnace-se e começa-se de novo como se nunca se tivesse magoado rido, etc. Mas têm razão porque cada novo tempo que nos é dado é diferente de todo aquele que passou. È diferente, porque estamos mais velhos, porque está mais frio, mais quente, as pessoa mudaram, a situação alterou-se, o pais é diferente, o emprego é novo. A cada tempo, a cada pano de vida que nos é coberta, é novo, é e será sempre cada segundo que me é dado. E pensamos que este circulo é eterno. Será bom pensar assim? Não será neste modo de pensar que as pessoas são felizes? Nunca encarnarem a sua essência humana de seres vagos e mortais e se embevecerem no cálice da eternidade.
Mas a verdadeira eternidade é sabermos da nossa mortalidade como trave mestra do nosso ser. Aí toda a essência e profundidade do nosso ser será alcançada na nossa forma de ser e estar.


ZC - 01 de Setembro de 2009