Estar ao fim do dia

Mingo de mão dada com esta aurora do final do dia, recolho-me no trago saboroso de estar com o meu espetáculo interior. Gosto de chamar espetáculo, poderia ser festa ou convívio, mas espetáculo subjaz uma forma de representar arte. E de facto, é isso que eu faço com as palavras e as ideias. Olho para cada som e ouço cada imagem assim mesmo… sem explicação. Vivo e faço-o apenas. Provavelmente é isto que sente os pássaros sem o saberem. Vivem felizes com o ar doce e primavera, com as palhas que albergam para o seu ninho e com a essência do canto neste poente. Esta comunhão sente-se e pronto… é uma sabedoria quase cozida de iliteracia porque não se tem que estudar muito. Apenas se sente. Como as abelhas, as árvores, o sol e a chuva existem.

  

Maio

Junto a este Maio
ensaio as festas dos nascimentos

dos acontecimentos
Um olhar expressivo
que nos limpa e barra de inocência

as flores de maios
os silêncios dos raios
a cor do verão nascido
e o desgosto barrido

Abraço a este Maio
como que, nascesse a cada dia
as pessoas
e os dias importantes.

ZC-14/5/2012