Mingo de mão dada com esta aurora do final do dia,
recolho-me no trago saboroso de estar com o meu espetáculo interior. Gosto de
chamar espetáculo, poderia ser festa ou convívio, mas espetáculo subjaz uma
forma de representar arte. E de facto, é isso que eu faço com as palavras e as
ideias. Olho para cada som e ouço cada imagem assim mesmo… sem explicação. Vivo
e faço-o apenas. Provavelmente é isto que sente os pássaros sem o saberem.
Vivem felizes com o ar doce e primavera, com as palhas que albergam para o seu
ninho e com a essência do canto neste poente. Esta comunhão sente-se e pronto…
é uma sabedoria quase cozida de iliteracia porque não se tem que estudar muito.
Apenas se sente. Como as abelhas, as árvores, o sol e a chuva existem.