O prado deste Verão

O prado deste verão
Nem se vê com as ervas
Porque está tão raso
                [e de facto, não tem sol]
Veio,
Enfim do outro outono
Com as mãos com sono

Espalho a palha
Daquele inverno

Pensando além na Primavera

Quem me dera
Que fosse sempre

Aquilo que não é agora

Ao estilo do Português
Sem hora.

São amoras
O que desejamos
                [isso amoras]
É porque dizem que é silvestre
E no entanto

Era o fruto agreste
Que se comia ao pé do amor escondido

E dos beijos requentados
E suados.

Sobro de estações
E complemento-me de emoções

Afinal amanhã
Pode ser qualquer coisa.


ZC - 28/6/2012

Estar ao fim do dia

Mingo de mão dada com esta aurora do final do dia, recolho-me no trago saboroso de estar com o meu espetáculo interior. Gosto de chamar espetáculo, poderia ser festa ou convívio, mas espetáculo subjaz uma forma de representar arte. E de facto, é isso que eu faço com as palavras e as ideias. Olho para cada som e ouço cada imagem assim mesmo… sem explicação. Vivo e faço-o apenas. Provavelmente é isto que sente os pássaros sem o saberem. Vivem felizes com o ar doce e primavera, com as palhas que albergam para o seu ninho e com a essência do canto neste poente. Esta comunhão sente-se e pronto… é uma sabedoria quase cozida de iliteracia porque não se tem que estudar muito. Apenas se sente. Como as abelhas, as árvores, o sol e a chuva existem.

  

Maio

Junto a este Maio
ensaio as festas dos nascimentos

dos acontecimentos
Um olhar expressivo
que nos limpa e barra de inocência

as flores de maios
os silêncios dos raios
a cor do verão nascido
e o desgosto barrido

Abraço a este Maio
como que, nascesse a cada dia
as pessoas
e os dias importantes.

ZC-14/5/2012

Acordes

Os acordes que vêm do vento
percorrem o tempo e sopram as ideias
o olhar descancara-se às candeias

e o folhos da mente cegam-se na desesperança

a nota do piano dança
na calma mansa dos sentidos

e faz-nos acreditar no momento
na limpida sensação do cima da montanha

e faz-nos pensar que há além
é só preciso saber onde queremos chegar.


Passos


Caminho por entre volumes
Que me leva aos cumes
Encondido nos meus passos
Guardo cada pintura nestes grãos
Levo a maresia no meu andar

E sorrio nestes espaços
E desenhos que solto no mundo

Ali vejo o meu sorriso e o meu chorar das ondas
A minha força
A minha alegria e leveza

É destreza esta minha pintura
O meu rascunho da vida
Que ficará até tudo se apagar e sermos todos areia e mar… para sempre!

Saudações Cordiais

ZC - 11/3/2012


* Imagem: C.Miguel

Processo

Todo o meu movimento é um processo
As unhas a concitar, os cabelos a desbotar
A alma a gorgolejar
E o meu pensamento é sempre a meta que peço

Abcesso é as vezes o Existir,
O ser é todavia a candeia do persistir
E o caminho anseia pelo encantamento

Reconquisto e prossigo...

Saudações Cordiais
ZC-28/02/2012
Luz parca nos dias de inverno seco
mas asseada e juvenil

com o sol repimpado em adolescente
devotamos a alegria como algo vil

e as arvores sacodem-se do gelo
como os nossos olhos vergam-se para a esperança

numa temperança
num trago de amor que é este amanhecer

o amor de respirar
de sentir que a luz é fonte de vida

esta luz de acordar com os passaros
e a calma das praças camponesas.

ZC-22/01/2012

Anos

Por acaso tudo isto é mais que um vaso
Raso, mas integrante de amor

Esta condição apertada de ver os anos a passar
Sem que tudo fique a sobrar

Tudo é vivido com a sabedoria do momento
O sentimento como estado atento

As horas os dias, as primaveras
Convividas com a bondade do amor
Sem que as feras
Do desalento entornem esta viagem

Que é contar os aniversários
Até ao último
[luar das descobertas].


Saudações Cordiais! ZC-13/01/2012